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domingo, 27 de setembro de 2015

Entrevista com Vó


   
Terezinha Correa - Voinha
      1.   Qual seu nome  e idade?
      Terezinha Correia de Moraes, tenho 74 anos. (1940)

2.      Onde nasceu/ morou na infância?
     Morei na Av. Caxangá – Pernambuco.

3.      Quais a lembranças que tem do local onde morou?
Ahhh! A rua já eram pavimentadas os vizinhos eram comerciantes e fazendeiros. A casa que nós morávamos os ônibus passavam na por de casa sempre foi muito movimentada, meu pai era motorista. Próximo da região onde morávamos haviam grandes fazendas. Também tinha um rio que quando chovia muito ele alagava na região próximo a uma ponte, tendo tinha uma ladeira que a água escorria e invadiam as casa, ai as pessoas que moravam nessa região colocaram uma barricada para que não acontecesse mais.
A minha mãe era aposentada que faleceu anos depois por uma doença que nunca foi identificada. Eu com 7 anos minha irmã mais velha, Maria das Graças apelidada por Gracinha, éramos quem realizavam as atividades domesticas, cuidavam dos demais irmãos e de mãe que já estava muito doente, ficando na maioria das vezes ficava de repouso na cama. Ai não saiamos muito. Para auxiliar na renda da família os irmãos mais velhos  trabalhavam.

4.      Morou na Av. Caxangá por quanto tempo?
Até me casar, depois fui morar em Salvador/BA.

5.      Por que?
Conheci o pai de meus filhos e casamos, ele trabalhava em uma empresa com vendas. Sempre foi muito bom e era chamado para as cidades que haviam algum problema para resolver e uma delas foi em Salvador/Ba. Na época tinha três filhos. Mas a família dele é de Alagoas/BA.

6.      Moraram a onde em Salvador e por que?
Fomos morar no bairro do IAPI, ele que escolheu o local.

7.      Em que ano foi?
Foi em 1966.

8.      Qual a lembrança que tem do bairro do IAPI?
     Nós morávamos na Rua São Jorge que fica um ponto antes do final de linha e era no final de linha que estava um grande Conjunto Habitacional. Na rua onde morávamos era o único por ali, movimento mesmo de comercio e moradia ficava no final de linha perto desse conjunto. E o comercio não era muito grande, existiam umas feiras e barraquinhas que vendiam frutas, legumes, algumas dessas coisas, também tinha uma padaria. Mas o bairro ainda estava crescendo.

9.      Quem morava no bairro?
     Ah! Eram gente distinta, comerciantes e pessoas que trabalhavam em industrias. Mas era bem misto o bairro.



Esta estrada Caxangá sempre foi considerada artéria principal da cidade, ampliando assim o caminho para o interior de Pernambuco. Ou seja, dela saiam diversas ramificações para os demais engenhos de açúcar e povoados dando grande circulações de pessoas, vale ressaltar que neste período só realizava translado com cavalos. Só houve sua pavimentação na data de 25 de maio de 1940, no ano de nascimento de minha avó, neste período já chamava-a de Avenida Caxangá.
Por volta do final do século XVII foi construída uma ponte pelo Rio Capibaribe, que atravessa vários municípios de Pernambuco inclusive a Av. Caxangá na cidade de Recife. Minha avó narra que é na proximidade desta ponte que o rio inundava a região, havendo uma ribanceira próxima na qual as águas do rio desciam com força e invadiam as casas.
                O IAPI (Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários), o conjunto habitacional, citado na entrevista, era o maior da cidade de Salvador no período da década 1951. Com o passar do tempo o conjunto, que terminou se transformando na grande marca do bairro. Hoje, passou a se chamar Condomínio Conjunto Residencial do Salvador, emprestando a sigla IAPI para denominar o bairro.  
                  É considerado um dos bairros de classe-média que inicialmente foi dividido em duas partes Jardim Vera Cruz e Jardim Eldorado, ambos localizados próximo ao atual final de linha. O destaque vai para o Jardim Eldorado onde moram a maior parte de famílias de classe alta do bairro, é lá que mora o Vovó do Ylê Ayê e a Família Rocha uma das mais tradicionais e ricas da região.



terça-feira, 11 de novembro de 2014

Carreira das Índias

   Para entendermos um pouco a história de Salvador e da Av. Caxangá/PE, precisamos compreender o contexto dos colonizadores. 
    A Carreira das Índias é considerada por uns como a maior consequência dos Descobrimentos, outros há que destacam o enorme feito que ela representa em termos técnicos e humanos para um pequeno país como Portugal no início do século XVI. Ao estabelecer uma ligação anual entre Lisboa e os portos do Oriente (Goa, Cochim e por vezes Malaca) a Carreira da Índia tornou-se num elo fundamental na respiração e transpiração quer de Portugal, quer do seu Império Asiático. 

    A nau é o navio por excelência da Carreira, sendo também utilizados galeões e fragatas (estas apenas nos finais do século XVII e no século XVIII), bem como, e mais esporadicamente, outros tipos como a urca, a caravela redonda ou a naveta. O tamanho ou capacidade das naus foi uma das características que mais alterações sofreu desde a viagem de Vasco da Gama, com 100t de média até às 200t a 300t com Pedro Álvares Cabral e às 1000t (1518). É comummente aceite que a média deve ter ficado nas 400t a 600t no século XVI e 800t a 1000t no século seguinte, embora os exemplos de gigantismo sejam fáceis de multiplicar. 

  Dentre os tripulantes da Nau no topo dessa hierarquia estava o capitão que desempenhava funções essencialmente judiciais, militares e administrativas enquanto comandante supremo do navio. Quem verdadeiramente governava e conduzia o navio era o piloto. Este era o posto de maior responsabilidade a bordo, cabendo-lhe traçar a rota com a ajuda dos regimentos, das cartas náuticas e da observação astronômica e escrever o diário de bordo. O elemento que se seguia nesta estrutura era o mestre. Cuidava da manobra dentro do navio orientando e comandando tanto marinheiros como grumetes.

    Os postos seguintes eram ocupados por uma série de homens do mar que se dividiam por actividades e funções bem distintas desde o guardião, a carpinteiros, calafates ou tanoeiros. Com funções não ligadas especificamente ao mar seguiam o meirinho ou alcaide, o capelão, o escrivão e um ou vários despenseiros, e por vezes o boticário e o cirurgião/médico substituído amiúde por um barbeiro que prestava os primeiros socorros. Depois dos oficiais vinham os últimos três tipos de homens do mar: os marinheiros, os grumetes que executavam os trabalhos mais duros e os pajens, geralmente crianças que tinham por função servir de mensageiros dentro do navio e transmitir as ordens dadas pelos capitães e oficiais. À parte desta estrutura havia uma outra, a dos homens encarregues da artilharia, e que era comandada pelo condestável tendo sob as suas ordens os bombardeiros. 

   Depois destes, que constituíam a tripulação, havia muitas outras pessoas que podiam embarcar. O contingente mais importante era o dos soldados. Com eles seguiam os fidalgos e nobres que iam assumir cargos administrativos ou militares. Havia ainda diversos religiosos, as mulheres, homens de negócios ou simples aventureiros que tentavam no Oriente a sorte que teimava em escapar-lhes em Portugal. Até escravos podiam embarcar logo em Lisboa. 

     Tudo era gerido pela máquina administrativa e logística do Estado onde se destacavam duas instituições: a Casa da Índia enquanto base comercial, administrativa e de gestão de todos os aspectos comerciais e financeiros; e os Armazéns da Índia que tinham alçada sobre toda a logística, fornecendo todos os materiais e produtos necessários para o sucesso da viagem.

A história de minha avó de Caxangá/PE

            A casa na qual minha avó e sua família residiam localizava-se na Avenida Caxangá que já era considerada neste período uma das principais avenidas da cidade de Recife. Relata que na década de 40 as ruas já eram pavimentadas, havia no bairro grandes comerciantes e fazendeiros, existia também o rio Capibaribe que períodos de chuva transbordava alagando algumas das residências mais próximas.
            O nome do bairro Caxangá não se sabe ao certo a origem, alguns autores afirmam que é uma corruptela da palavra tupi caa-çan-áb, que significa mata estendida oucaa-çang-guá, mato do vale dilatado ou ainda caa-ciangá, mato da madrasta ou da madrinha. O mesmo está localizado nas margens do rio Capibaribe de águas límpidas, clima agradável e solo fértil, aos onze quilômetros do centro de Recife.
Antes da denominação de Caxangá era conhecida como estrada de Paudalho que teve sua construção iniciada em 1833, começando no largo de Madalena e se dirigia até o povoado. Pela primeira vez nesta Província houve uma estrada regularmente construída.

Esta estrada sempre foi considerada artéria principal da cidade, principalmente após a construção da ponte Pênsil de Caxangá sobre o rio Capibaribe, sendo a primeira no Brasil, ampliando assim o caminho para o interior de Pernambuco e expandindo o desenvolvimento socioeconômico da região. Pois dela saiam diversas ramificações para os demais engenhos de açúcar e povoados dando grande circulações de pessoas, vale ressaltar que neste período só realizava translado com cavalos. Só houve sua pavimentação na data de 25 de maio de 1940, neste período já chamava-a de Avenida Caxangá. Minha avó narra que é na proximidade desta ponte que o rio inundava a região, havendo uma ribanceira próxima na qual as águas do rio desciam com força e invadiam as casas. 

O rio Capibaribe e ao fundo a ponte de Caxangá
Existem alguns relatos que no século XIX e XX nas terras Caxangá localizou-se o Engenho Poeta que funcionava como engenho de cana-de-açúcar até o período de 1942. Havendo lembranças de Terezinha, em sua infância, sobre ainda a existência de grandes fazendas nesta região.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

IAPI

Rua do IAPI

Rua do IAPI

Conhecendo o IAPI

O bairro do IAPI é a sigla de “Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários”, instituição criada durante o primeiro governo Getúlio Vargas que dentre outros fatos teve fundamental importância na criação de uma classe operária e urbana, intimamente relacionada ao processo de industrialização no Brasil.

No IAPI o conjunto habitacional era o maior da cidade de Salvador, no período da década 1951. Com o passar do tempo o conjunto, que terminou se transformando na grande marca do bairro. Hoje, passou a se chamar Condomínio Conjunto Residencial do Salvador, emprestando a sigla IAPI para denominar o bairro.
O bairro cresceu desordenadamente e houve muitas invasões na região, logo o bairro considerado classe média ao longo da história tornou-se mais populoso.